12 provas de que inovação sem felicidade não é mais possível

Recém formada, aos 19 anos, eu embarcava em minha primeira experiência profissional internacional. Naquele momento, o que me fez ir ao Vale do Silício foi a busca por inovação, tecnologia e aprendizados que pudessem fazer de mim uma profissional diferenciada e ao mesmo tempo, trazer conhecimentos relacionados à inovação que poderiam ser aplicados nas empresas locais. Mas o que é realmente inovar e de que vale a inovação sem felicidade?

Inovação é criar algo novo. Segundo Wikipedia, inovação, palavra é derivada do termo latino innovatio, e se refere a uma ideia, método ou objeto que é criado e que pouco se parece com padrões anteriores.

Inovação é um processo criativo, transformador. É introduzir algo novo, que promove quebra de paradigmas e impacta positivamente a qualidade de vida e o desenvolvimento humano.

Aos 19 anos, vivendo no Vale, mesmo que por apenas 4 meses, trabalhando na área de games com os executivos mais inovadores do mundo, pude conhecer pessoalmente, ou melhor… just say hello para o George Lucas, mas acompanhei um dos maiores lançamentos de filme da época.

Lembro-me exatamente do relançamento da trilogia em 1997. Estava lá presencialmente e fiquei chocada com o americano. foi a primeira vez que vivenciei uma estratégia de marketing, misturada com um fanatismo americano que nunca vi igual. Era impressionante o quanto o país “vestia-se” de fantasias, máscaras, filas dos fast foods quilométricas em busca de copos, brindes, sem falar nas filas das salas de cinema. Foi uma experiência indescritível.

A possibilidade de inovar me gerava felicidade

Ainda que muito jovem, toda aquela vivência, fomentava a minha motivação em inovar cada vez mais. Era encantador idealizar a oportunidade de poder mudar um cenário, revolucionar, impactar e trabalhar em empresas nas quais, por mais simples que fosse a ideia, seríamos capazes de transformar.

May the force be with you. Ou que a força esteja com você, em português. A frase que nunca me esqueci desta experiência na Lucas Arts foi a mensagem dos Jedi. Há 20 anos que me lembro que a força está sempre com cada um de nós. Quando criamos, nos sentimos produtivos, livres, felizes, satisfeitos e contribuindo para o bem maior. Inovar nos trás felicidade.

Acabou a inovação, começou a infelicidade!

Quase vinte anos se passaram desde meu primeiro estágio, foram dezenas de idas ao Vale do Silício, foram diferentes empresas pelas quais passei, foram dezenas de congressos, feiras, eventos, palestras e workshops sobre inovação.

Quanto maior o meu cargo, maior o salário, o status e o falso poder de inovação. De que vale toda essa inovação sem felicidade?

Quanto maior na hierarquia global, mais você deve seguir regras, cumprir protocolos e agir globalmente, você simplesmente torna-se porta voz. E, o principal, porta voz de uma voz que não é sua.

Como inovar, considerando as mudanças radicais da última década? Como inovar e nos posicionarmos mediante tantas mudanças de paradigmas e conceitos sobre trabalhos, empregos, empresas, crenças, qualidade de vida? Como inovar sem assumir riscos? Como inovar sem radicalizar? Como inovar só um pouquinho, sem mudar muito? Como continuar a valorizar uma inovação sem felicidade?

Como manter pessoas felizes se elas não podem mais criar, contribuir, pensar nem inovar? Descobri que o que fazemos hoje em dia é co-criação, não inovação!

“[…] inovação não é uma simples renovação, pois implica uma ruptura com a situação vigente, mesmo que seja temporária e parcial. Inovar faz supor trazer à realidade educativa algo efetivamente novo, ao invés de renovar que implica fazer aparecer algo sob um aspecto novo, não modificando o essencial” (CARDOSO, 1992, p.1).

E onde está a felicidade?

Me disseram que a felicidade estava no Butão. Da mesma forma que aos 19 anos eu embarquei para o Vale do Silício em busca de inovação, este ano completei 40 anos e embarquei para mais uma jornada de estudos onde meu objetivo era me aprofundar no tema felicidade.

Todos os dias descubro algo novo e compartilho aqui com vocês alguns estes aprendizados para juntos iniciarmos um novo caminho. Descobri que:

1) Sem inovação e pensamento criativo, as pessoas adoecem, tornam-se infelizes.

2) Enquanto as empresas continuarem buscando por executivos inovadores, nada vai mudar pois sempre vai haver frustração.

3) Inovação sem felicidade já não pode mais ser diferencial competitivo, isto era verdade há 20 anos, hoje não mais.

4) As empresas precisam de gestores de felicidade, portadores de uma liderança servidora, cujo objetivo é cuidar do ser humano, respeitar suas diferenças, habilidades e individualidade.

5) Os modelos convencionais de gestão estão fadados ao fracasso. Descobri que “small is beautiful”. Eficiência e produtividade só acontecem quando existe sinergia, empatia e compromisso.

6) Think Global, act local não funciona, não acontece e sim, nos entristece.

7) O que importa no final do dia é vivermos alinhados com nossos valores sempre, plenos e em equilíbrio com nosso corpo, mente, alma e natureza.

8) Teremos equipes felizes quando sentem que pertencem e são respeitadas ao buscar por mais equilíbrio, qualidade de vida e sustentabilidade.

9) Ter um propósito de vida é um desejo universal entre todos os seres humanos. Ter visão, missão e valores é fundamental para uma empresa se apresentar para seus colaboradores.

10) Talvez você não vá encontrar um trabalho, mas, sim, criar seu próprio trabalho e tudo bem. Basta recomeçar com foco, planejamento e propósito.

11) Inovar é olhar além do lucro, olhar o propósito do seu negócio, olhar para novos temas como: economia colaborativa, sobre ciências holísticas, resgatar valores, princípios, respeito, ética, generosidade, espiritualidade e respeito a si próprio antes de respeitar o próximo.

12) Inovação sem felicidade não é mais um caminho possível.

Inovação sem felicidade não é uma opção

Minha vontade em inovar sempre esteve latente e entendo que posso continuar eternamente inovando, talvez não com o sonho de transformar o planeta, mas, sim, praticar a mudança dentro do meu mundo, dentro de sociedades, empresas e comunidades às quais pertenço e sei que faço a diferença.

É só o começo, mas da mesma forma que desta vez Satish Kumar nos diz que o nosso nome é SELF, me lembro do que Mestre Yoda também sempre dizia: a força está com você.

Sou muito grata por viver estas experiências e deixar um pouco das mensagens que tanto o Vale do Silício, quanto o Butão me trouxeram!


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Ligia Costa

Atualizado em

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